segunda-feira, 21 de julho de 2008

Abrir a Janela

Apreciar a beleza de alguns momentos é muito semelhante a conseguirmos-nos abstrair do mundo que nos rodeia e focarmo-nos num único pormenor de um universo repleto de distracções.
Foquei-me num olhar num momento em que me tentava abstrair do facto de não me conseguir entender ... sorrio quando me apercebo que esse olhar me ajudou a entender que existem coisas que... apenas se abre a janela e se deixa esvaziar a casa...
Ao abrir a janela presenciei uma enchorrada de emoções a saírem, e descobri que caminhei muito para finalmente não me sentir revivalista e aprender a dar valor ao respeito.

sábado, 5 de julho de 2008

Esta Semana

Existem momentos em que descobres que saber o chão que pisas é agradável. Isso exige que os impulsos sejam substituídos pelo saber o que realmente se sente, o que realmente existe dentro de nós e não ficarmos presos nem ao momento presente, nem a sentimentos passados, sonhos futuros ou pensamentos e sentimentos de terceiros.
Existe algo dentro de nós que foi construído por algo mais, por um conjunto de diversos momentos que construíram um sentido de caminhada. Esse conjunto de momentos construíram sentimentos e pensamentos, não exclusivamente racionais, mas construídos com algo mais do que simples impulsos. A vida é feita de momentos, e sim alguns momentos e ambientes podem fazer-nos sentir a vontade de, pura e simplesmente, deixar as coisas acontecerem de acordo com o que nos está a ser proporcionado … mas por vezes isso é, não só, não nos respeitarmos, mas também, não saber respeitar a pessoa que nos proporcionou esse momento.
Esta semana descobri finalmente que o respeito por mim e por quem me rodeia pode ser um unico e só sentimento. Sim sinto-me mais serena por esta semana me ter respeitado, por esta semana ter respeitado as minhas certezas e as minhas dúvidas que persistem. Esta semana eu consegui resistir ao impulso do momento que me ofereceram ... mas agradeço ter podido viver esse momento bonito.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Conversar Contigo

Chego a casa e não me apetece ser bombardeada por tudo o que o mundo nos oferece para nos distrairmos do que nos vai dentro. Não, hoje quero apenas ouvir o que me vai dentro. Esta noite não me vais ouvir, esta noite não me vou ouvir através do que falamos, não te vou ouvir através do que conversamos. Esta noite as quatro paredes da minha casa voltam a ter esse peso. Fecho os olhos, hoje quero realmente ouvir-me, à algum tempo que não o faço, na realidade à mais tempo do que pensava...talvez.
Sorrio quando te encontro dentro de mim, esperavas-me apenas para conversarmos. Mesmo sem estares continuas a ser tu o meu meio mais simples de me ouvir … e ao sentar-me em frente a ti sabe-me bem sentir-te ali. Como é comum, conversei contigo horas fio, o tempo voa... não dei por ele passar... perdi-o nas palavras que te disse, nas palavras que ouvi, no teu sorriso quando as dizias, no teu olhar, nas tuas expressões... no final da nossa conversa consigo sentir uma vez mais esse sentimento de tudo se ter encaixado dentro de mim… as peças do puzzle que andava a evitar construir encaixaram-se finalmente. Não está completo, não sei se algum dia estará, mas este bocado do puzzle estava à espera que eu o construísse… mas tem sido complicado conversar contigo, talvez apenas assim conseguísse construir esta parte do puzzle…
Não me surpreendo por mais uma vez ter gostado de falar contigo, sabe sempre bem, mesmo naquilo que apenas consigo falar assim, mesmo quando não estás. Sim, esta foi a noite em que não estavas mas encontrei-te e mais uma vez os meus desenhos toscos ganharam forma.

terça-feira, 24 de junho de 2008

O Teu Sorriso

Fim de mais um dia, nada de muito especial a acrescentar, foi apenas mais um dia no anonimato do mundo que gira. Rumo a casa, pela ponte de sempre, aquela que me permite desconectar de um universo que também é meu, e no vaguear do pensamento aterro num sorriso que conheço muito bem, não o conheço à muito tempo, porque também à relativamente pouco tempo que existe. Esse sorriso vem acompanhado por essa voz que me faz serenar, que apaga tudo aquilo que me move e que me faz parar, essa voz faz-me acreditar na inocência de tudo. Já tem as suas manhas, após algum tempo, ninguém resiste a ter manhas, mas adoro as manhas de quem me oferece um sorriso e apenas me chama, por esse nome que apenas ela me chama, essa palavra que me acaricia a alma e arranca de mim o meu mais sincero e bonito sorriso. Quando chego a casa apetece-me telefonar-te... já é tarde... tenho as saudades de te ouvir. Imagino que fico uns minutos a falar contigo, contas-me o teu dia e fazes-me sorrir. Gosto desse sorriso que tens a capacidade de arrancar de mim, gosto da serenidade que me ofereces, gosto das brincadeiras que fazem parte do nosso universo, gosto do amor e do carinho que tenho por ti ... o nome que me chamas e o teu sorriso dançam dentro de mim, e agradeço todos os dias alguém me ter oferecido o doce prazer de existires na minha vida. Adoro-te, meu pequeno anjo travesso de olho claro como o meu.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Passos

Os caminhos devem ser percorridos com a serenidade de quem tem a certeza que se passeia sem destino preestabelecido, com a serenidade de quem sabe que pode ser surpreendido em uma qualquer esquina do caminho.
Por vezes surpreendemos-nos com novos passos que nos acompanham. Alguns têm ritmos difíceis de acompanhar, devido à sua rapidez, outros tornam-se monótonos de mais pela sua lentidão, no entanto, existem passos que têm o nosso ritmo, com os quais sentimos prazer em caminhar.
Esses são aqueles passos que nos estimulam quando o nosso ritmo se torna lento, que nos serenam quando temos tendência para começar a correr e que nos acompanham quando o caminho se torna mais agressivo. Sorrio quando penso nessas passadas ritmadas ao meu lado, que quebram os caminhos percorridos vezes sem conta e me fazem percorrer caminhos onde me conheço, onde a paisagem não está viciada, onde me aventuro para algo novo e bonito, onde os passos encontram uma estrada e não atalhos meio toscos.
Mas mesmo com esses passos, por vezes, também se tropeça e se perde um pouco o ritmo. Por vezes aventuramo-nos a percorrer novos caminhos, e isso faz com que os passos, que nos acompanham, alterem o seu ritmo face ao caminho. Paro, espero conseguir entender o ritmo da passada que me acompanha, tento entender onde a estrada me leva, tento entender… tentar entender onde estamos, onde vamos e como vamos pode, por vezes, fazer-nos perder a noção de que os caminhos devem ser percorridos com a serenidade de quem se passeia sem destino preestabelecido, com a serenidade de quem apenas gosta de sentir o prazer de caminhar acompanhada por esses passos que já conhecem os meus passos.

terça-feira, 3 de junho de 2008

segunda-feira, 2 de junho de 2008

sábado, 31 de maio de 2008

Fio Condutor

Por vezes sinto que perco o meu fio condutor, nessas alturas chego mesmo a duvidar se ele existe na minha existência. São diversos, diferentes e quase sempre lindos os mundos onde vivo. São diversos, diferentes e quase sempre lindos os motivos que me fazem entrar nesses mundos.
Não escondo de ninguém que sempre me considerei uma pessoa de extremos e de limites, não escondo de mim que isso por vezes se torna perturbador para o meu mundo privado. Confesso que, por vezes, me questiono porque me mantenho em alguns deles. Confesso que, por vezes, me questiono se alguns deles ainda têm, ou alguma vez tiveram, motivo para existirem dentro de mim.
Sim, cada mundo novo em que entro me faz questionar os outros por onde andei ... eu permito e até agradeço que isso aconteça, mas as permanentes diferenças no meu mundo fazem-me duvidar, mais vezes do que o que gostaria, se me conheço, se existe algo que se mantém permanente no espaço vazio entre mundos.
Essas zonas de vácuo, deixam aquela sensação de vazio, de falta de consistência. Nessas zonas de vácuo, eu sou genuinamente eu. Nessas alturas, por vezes questiono-me por onde andei, nessas alturas questiono o que poderia ser diferente se não tivesse vivido em alguns mundos, nessas alturas questiono-me se me quero efectivamente conhecer, nessas alturas questiono as verdades que tenho dentro de mim, nessas alturas questiono o que sinto, nessas alturas ...nem sempre gosto do que descubro.
Por isso ... por vezes duvido se tenho fio condutor.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Com Vocês

Custa-me acreditar que naquela casa vou passar apenas a viver memórias, custa-me acreditar que uma casa onde vivi tantas alegrias agora vou viver da recordação delas. A realidade por vezes projecta-se em nós como se fosse uma bala. Dentro de mim nada morreu, mas instalou-se esse sentimento de saudade que as recordações não podem matar. Sinto saudades dos tempos em que viajávamos juntos, em que pacientemente me ensinas-te tantas coisas que recordo diariamente. Foste tu que me instalas-te o bichinho e sim ... fica descansado eu vou ter cuidado porque a saudade não consegue matar o amor que sinto por ti ... por vocês. É mais do que saudades de pessoas, é saudade de um tempo onde aprendi tantas coisas, é saudade da vossa atenção, do vosso riso com as minhas parvoíces, do vosso olhar quando me ouviam a falar.
Com vocês, e com a saudade que sinto desse mundo, a minha alma ficou cheia da verdade que poucas pessoas nos marcam, mas essas serão importantes para sempre. Vou ter saudades para sempre da pessoa que apenas vocês conheceram, porque quando se ama como vocês me amaram ... descobre-se que não existem palavras que expressem a saudade.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Fim e Inicio

Todos os anos por esta altura subo as muralhas e refugio-me dentro de mim. Este ano dentro da minha muralha encontrei o fim. Ao olhar para dentro de mim encontrei o adeus a pessoas que amei e o adeus a pessoas que ainda amo, encontrei o fim da caminhada de outras que amo, encontrei o fim de realidades da minha existência que nunca imaginei vir a perder.
"A partir de um certo ponto, não há retorno. Este é o ponto que é preciso alcançar." - Franz Kafka
O fim e o inicio misturam-se tantas vezes. Não desci o pano da minha peça, mas estou a viver uma nova peça. Levantem-se os actores de sempre, levantem-se as novas caras... pois... entre vocês existem novas caras, entre vocês existem caras que parecem de sempre, mas entre vocês... entre vocês faltam pessoas que amei e outras que amo, entre vocês falta algo que apenas alguns tinham capacidade de me oferecer ... neste cenário falta o cenário onde sempre me encontrei.
Após se conhecer a sensação do fim, não há retorno, e isso faz-nos regressar ao início. A essência do cenário que procuro neste palco está dentro de mim, a minha essência estava nesse cenário. Desta vez não me procurei, desta vez encontrei-me ... o que vocês me ofereceram já mais alguém me voltará a oferecer, o que fui para vocês já mais serei para outra pessoa.